domingo, 30 de agosto de 2009

O 'Modernismo' Chegou à Eles.


Fico pensando nessas crianças, deslumbradas com o mundo purpurinado e cor-de-rosa que os adultos em suas ilusões lhes apresentam, ficando acostumadas com os hábitos e a vaidade adulta; falo, por exemplo, das meninas como a minha priminha, que só se contentam com roupas da Polly, unhas pintadas e salto, além da claro, a inseparável bolsinha da Barbie: uma perua nata. E olhem que ela é ainda um rabisco de gente: com quase 4 anos de idade ela já responde os adultos e se mete nas conversas. Fruto de uma má educação? Pode ser com toda a certeza que nem eu, nem os avós e pais dela tenham tido as melhores atitudes, mas basta ela ver a televisão para aprender. Até que ponto é saudável criar os filhos como mini-adultos, criaturas prodígio com liberdade de escolha? Será que não se deve pôr um limite nisso?
Não é moralismo da minha parte, podem crer. É claro que ela precisa de liberdade pra escolher o que ela quer, mas não com quatro anos! Cabe aos adultos escolherem por ela, por que nessa idade ninguém sabe o que é melhor pra si. Nunca fui careta, pelo contrário, prego o modernismo aos quatro cantos, e acho que as coisas estão aí mesmo para serem experimentadas, desde que nos faça bem. Só que as crianças de hoje vivem como gente grande, nascem intrometidas e metidas. Aprendem a maquiar o rosto antes mesmo de descobrir o que significa isso, e vivem vidas tão atribuladas e confusas sem nem terem aprendido as vogais.
Não são crianças, são cópias dos pais, vizinhos e amigos e procuram copiar as atitudes dos mesmos que, por vezes, vivem frustrações e mundos muito densos e ilusórios para as pobres cabeçinhas infantis.
Crianças que brincam de bonecas, mas já são mães de verdade; crianças sem personalidade, que se vestem e se comportam iguais para serem aceitas num grupo (em parte isso nunca deixa de acontecer, não importa a idade, dependendo da cabeça da pessoa); crianças que cantam funk e afloram a sexualidade cada vez mais cedo (eu não quero dizer que o tipo de música é relevante quanto à sexualidade, apenas acho que tanto as músicas quanto as letras são para serem ouvidas por adultos vacinados que já sabem muito bem o que querem); crianças que não brincam mais de mocinho e bandido, mas vivem a dura realidade do polícia-ladrão todos os dias; crianças que não brincam de roda, de cabra-cega, de passa anel, de pega-pega ou esconde-esconde, mas se divertem com jogos computadorizados, brinquedos de pilha e que andam sozinhos. Escrevo paras as crianças, não só as meninas, mas também para os meninos que sustentam famílias em faróis com malabarismos e lava-jatos, pequenos anjinhos sem discernimento, infligidos na escolha de serem apenas crianças para se tornarem o que bem quiserem os adultos. Para aquelas que perderam a inocência, deixaram de ser o que são e viraram marionetes da moda, da falta de igualdade, da pobreza, da falta de informação, do abandono, da solidão.

Criança tem que ser criança! Terão muito tempo para serem outras coisas.

Ando preocupado...


Eu estava com muita vontade de postar no blog, mas não sabia sobre o que falar. Não é falta de inspiração, é falta de assunto mesmo. Na verdade ainda não sei o que falar, mas digito na esperança de me ocorrer algo..Nada aconteceu de tão desesperador, dramático ou trágico nos últimos tempos, podem acreditar nisso? Eu estou muito feliz, estou com o amor da minha vida, e ate decidi qual sera minha profissao: Engenheiro Civil!... mas ah, não quero falar sobre isso.Ando preocupado com as minhas relações de amizade. Às vezes penso que eu deixo alguns amigos de lado pra priorizar os outros e isso me deixa deveras chateado, porque não é por querer, eu penso um bocado em todos os meus amigos, o que ocorre é que às vezes não dá tempo pra falar com todos.A amizade é uma coisa tão frágil, que quando vê, já não existe mais; li o último post da senhorita Ivysaura que me fez pensar muito nisso também, sobre “ex-amigo”. Se eu pudesse, manteria todos os meus amigos como velhos e grandes amigos, mas o fato é que alguns andam por caminhos diferentes num determinado ponto da vida, outros se interessam por outros assuntos, outros continuam aí do teu lado, mas a relação fica tão indiferente e fria que você nem se dá conta de que eles estão ali.

Nem sei por que eu sou assim tão dramático, em querer relembrar momentos e saudades, o que me deixa triste é que eu cultivei tantas amizades, alguns tantos “melhores amigos” e hoje posso contar com pouquíssimas pessoas. E amanhã vou conhecer outras tantas com quem vou contar, e esquecer algumas do passado, mas isso me dá uma sensação de fragilidade como se o que eu sentisse pelos meus amigos fosse político, momentâneo, ou até porque me convinha gostar. A verdade é que não importa o quanto eu passe com uma pessoa, seja um namorado, um amigo ou um familiar: a gente sempre se decepciona, pois somos egoístas o bastante pra não saber relevar e aceitar o erro e o acerto do outro. Inconscientemente procuramos pessoas perfeitas, que nos complete e ainda nos ouça, que nos conforte e nos proteja e que não errem, e que não esqueçam de nós, e que sejam sempre nossas por todo infinito e sempre.
Hoje eu sou amigo de alguns estudantes, e daqui uns anos espero continuar sendo amigos dos mesmos, que serão nutricionistas, psicólogos, enfermeiros, secretárias, e eu espero poder bater um papo com eles com a mesma intimidade de hoje, beber uma cerveja num bar, cada um com sua nova vida e velhas recordações. E espero viajar com eles, e me confessar com eles, e ser padrinho dos filhos que eles tiverem, e organizar uma festa pras suas respectivas famílias. Espero ainda que eles sejam felizes, e eu também. Espero que a gente possa comer um salgadinho em cima do muro, e pensar na vida, e sentir-se vivo com a proximidade deles. Espero que eles todos sejam bem sucedidos nas suas carreiras, e eu também, e espero principalmente que eles tenham a mesma certeza que eu: que mesmo nada disso acontecendo, eles foram meus amigos, ainda que por um ano ou dez, ainda que nunca mais nos vejamos.

Queria Que se Eternizasse!


As pessoas têm tão pouco tempo umas pras outras. Às vezes eu tenho vontade de curtir mais os meus amigos, de fazer coisas inusitadas com eles, banalidades apenas. O frio me deixa tão nostálgico e no fim eu adoro. Tenho vontade de eternizar os momentos com aquele que é mais que um amigo, mas não é carência, é só necessidade de uma conversa franca às vezes, sem precisar explicar os motivos de todas as coisas, sem tentar parecer legal pros outros, ficar assim, deixar-se ficar apenas, curtindo a proximidade do outro sem julgamentos, sem explicações, ouvir uma música sem prestar atenção na letra, só na melodia, e a sensação agradável do vento gelado no rosto, numa tarde a esmo, sem compromissos, sem tempo pra voltar pra casa, como se a noite não chegasse nunca e aquela cumplicidade eternizasse aquele momento.
Fiquei pensando o quanto algumas pessoas são importantes na minha vida e o tanto que elas ajudaram a formar a minha opinião. Sei que já falei muito sobre isso, mas é o que eu tenho vontade de falar agora, e afinal, “quais são as palavras que nunca são ditas?”. É tão bom, tão bom ver que algumas pessoas se demoram nas nossas vidas e trazem uma certeza absoluta de importância que não desaparece nunca. Tão bom contar com aquela garota pra falar de sentimentos, e aquele outro pra curtir uma festa ou uma ida até o shopping, aquela pra questionar as coisas da vida e sentir saudades, aquele outro quem eu vejo nao tao frequente assim, mais que sempre esta comigo em meus pensamentos..

Tenho tanta sorte em ter a família que eu tive, os amigos que eu conheci, e no final parece que todos foram feitos pra mim, apesar de eu encher o saco às vezes de algum parente, eu sou o que sou, porque eu convivi com aquela tia linha dura, a mãe me dizendo a ter dignidade, o meu companheiro me ensinando a sonhar, as primas me fazendo batalhar pelo o que eu quero, os amigos que são minha redenção.

Mas no fim eu não tenho o tempo que eu quero pra conviver com eles, e nem eles comigo, mas alguns eu guardo num futuro tão idealizado!
Acho que a chuva e o frio têm um efeito colateral em mim. Sério, eles mexem quimicamente com o meu cérebro. E mesmo com toda a roubalheira política (sim, eu tenho que falar, tenho que falar!), com a mediocridade brasileira.. com o Lula dizendo que todos os colégios terão computador com banda larga, mas metade do Brasil não tem saneamento básico, com a falta de sono, eu me sinto muito feliz pois tenho perspectiva e “vejo a vida melhor no futuro”.

Will to Live!


Sinto um cansaço tão grande, um cansaço entorpecente. Ao mesmo tempo, sinto como se a vida tivesse me dado tudo do qual eu preciso, e nessas horas me sinto ingrato: ingrato pelo cansaço constante, pelo tédio estonteante, pela falta do que fazer com as minhas horas.
E vejo gente andando pelas ruas, e me pego imaginando sobre as suas vidas, suas tristezas e crises existenciais. Será que todo mundo se pergunta, algum dia, se vale a pena acordar tão cedo, se vale a pena correr contra o tempo? Vale a pena pegar ônibus e trabalhar de mais ou de menos? A gente corre pra quê? Corre pra onde? A gente tem sede de quê? Fome de quê? “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. Felicidade? O que fazer com os dias tristes, com as memórias que ficam? As lembranças, os devaneios, a luz e a sombra. As cores da cidade nunca mudam, são róseas e avermelhadas, com tons de amarelo-manga, amarelo-ouro e amarelo-plácido.
As cores das pessoas sempre mudam, são azuis e verdes, de olhos laranjas. O que elas me trazem? O que eu dou a elas? O que eu faço de mim? O que eu me tornei? O que os outros se tornaram?Tenho medo de lugares fechados.
Tenho medo do escuro. Não tenho medo da morte. Tenho medo de baratas, mas não tenho medo da solidão. Liberdade. Estagnação. Vento na cara, rir alto. Desânimo. Estima. Desculpas. Quero tanto as pessoas, tanto! Quero tanto conversas, tanto risadas, tanto lágrimas e tantos abraços! Quero muito, muito de flores e de poesia, quero crescer, quero ser gente grande. Pra poder chorar.
E quero aprender a não pôr a culpa nos outros. A respeitar quem tem apreço por mim. A valorizar o que tenho de bom, o que tenho de mau. Quero o amargo da vida, transformar em doçura as agruras.
Vê? Tenho amigos. Tenho música, tem sangue correndo pelas minhas veias. Não, não, talvez ácido. Talvez loucura ao invés de veias. E talvez música de oposição ao invés de jazz. Talvez... eu precise de alguém perto. Perto do coração selvagem.
Preciso tanto tanto de prosa. De verdades absolutas. Me diz, me diz a verdade de todas as coisas. Diz pra mim, o sentido de tudo isso! Dentro de mim, há uma força que não sai, não sai. Não sai não. E grita. Urra.
Sinto um cansaço tão grande, e ao mesmo tempo, sinto uma vontade tão grande de vida.

Shelter !


O melhor da vida não é a fotografía, o contado, o lembrado, o escrito.. O melhor da vida não é eternizado em folhas, paredes, em músicas ou em poemas.. Aquilo que agente viveu de mais feliz, de mais emocionante, fica nas entrelinhas... Assim como o toque das tuas mãos, a doçura com que você fala, a forma a qual olha para o mundo e como o mundo devolve o seu olhar.. Assim como o seu sorrizo, e o jeito único de balançar o corpo quando ri, sem graça.. Assim como a sua reação ao beijo, como um filme entre nós, como uma nuvem...
Existe forma de explicar uma nuvem, tal como ela é? Inevitável as tentativas, mais não conseguimos faze-lo, nunca fica como na realidade.. Assim é o encanto que você irradia!
Te amo ♥

Tirando as Teias de Aranha!

Faz tempo que nao escrevo, e confesso que nao tenho me motivado pra isso.. Não sei se sao as atribulações do cotidiano, escola, casa.. enfim... Me sinto meio em divida com meus amigos blogueiros; sinto um prazer tao grande em lê-los, mais nem para isso tenho achado tempo também.. Peço desculpas publicas digníssimos amigos..

Mais quero dizer que hei de tentar encontrar um tempo para esses afazeres, prometo à todos! o/

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ser ou não ser - eis a questão.


Será mais nobre sofrer na alma pedradas e flechadas do destino feroz, ou pegar-me em armas contra o mar de angústias - e, combatendo-o, dar-lhe fim?

Morrer; dormir; Só isso.
E com sono - dizem - extinguir dores do coração e as mil mazelas naturais a que a carne é sujeita; eis uma consumação ardentemente desejável.

Morrer - dormir - dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo! Os sonhos que hão de vir no sono da morte quando tivermos escapado ao tumulto vital nos obrigam a hesitar: e é essa reflexão que dá à desventura uma vida tão longa.

Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo, a afronta do opressor, o desdém do orgulhoso, as pontadas do amor humilhado, as delongas da lei, a prepotência do mando e o achincalhe que o mérito paciente recebe dos inúteis, podendo ele próprio encontrar seu repouso com um simples punhal?

Quem agüentaria fardos gemendo e suando numa vida servil, senão porque o terror de alguma coisa após a morte - o país não descoberto, de cujos confins não voltou jamais nenhum viajante - nos confunde a vontade, nos faz preferir e suportar os males que já temos, a fugirmos para outros que desconhecemos?

E assim a reflexão faz todos nós covardes.
E assim o matiz natural da decisão se transforma no doentio pálido do
pensamento. E empreitadas de vigor e coragem, refletidas demais, saem de seu caminho, perdem o nome de ação.


(Hamlet, Ato III, cena 1)