domingo, 30 de agosto de 2009

Will to Live!


Sinto um cansaço tão grande, um cansaço entorpecente. Ao mesmo tempo, sinto como se a vida tivesse me dado tudo do qual eu preciso, e nessas horas me sinto ingrato: ingrato pelo cansaço constante, pelo tédio estonteante, pela falta do que fazer com as minhas horas.
E vejo gente andando pelas ruas, e me pego imaginando sobre as suas vidas, suas tristezas e crises existenciais. Será que todo mundo se pergunta, algum dia, se vale a pena acordar tão cedo, se vale a pena correr contra o tempo? Vale a pena pegar ônibus e trabalhar de mais ou de menos? A gente corre pra quê? Corre pra onde? A gente tem sede de quê? Fome de quê? “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. Felicidade? O que fazer com os dias tristes, com as memórias que ficam? As lembranças, os devaneios, a luz e a sombra. As cores da cidade nunca mudam, são róseas e avermelhadas, com tons de amarelo-manga, amarelo-ouro e amarelo-plácido.
As cores das pessoas sempre mudam, são azuis e verdes, de olhos laranjas. O que elas me trazem? O que eu dou a elas? O que eu faço de mim? O que eu me tornei? O que os outros se tornaram?Tenho medo de lugares fechados.
Tenho medo do escuro. Não tenho medo da morte. Tenho medo de baratas, mas não tenho medo da solidão. Liberdade. Estagnação. Vento na cara, rir alto. Desânimo. Estima. Desculpas. Quero tanto as pessoas, tanto! Quero tanto conversas, tanto risadas, tanto lágrimas e tantos abraços! Quero muito, muito de flores e de poesia, quero crescer, quero ser gente grande. Pra poder chorar.
E quero aprender a não pôr a culpa nos outros. A respeitar quem tem apreço por mim. A valorizar o que tenho de bom, o que tenho de mau. Quero o amargo da vida, transformar em doçura as agruras.
Vê? Tenho amigos. Tenho música, tem sangue correndo pelas minhas veias. Não, não, talvez ácido. Talvez loucura ao invés de veias. E talvez música de oposição ao invés de jazz. Talvez... eu precise de alguém perto. Perto do coração selvagem.
Preciso tanto tanto de prosa. De verdades absolutas. Me diz, me diz a verdade de todas as coisas. Diz pra mim, o sentido de tudo isso! Dentro de mim, há uma força que não sai, não sai. Não sai não. E grita. Urra.
Sinto um cansaço tão grande, e ao mesmo tempo, sinto uma vontade tão grande de vida.

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